O que a Bíblia diz sobre tatuagem e como isso pode te transformar

Quando alguém se pergunta com sinceridade o que a bíblia diz sobre tatuagem, geralmente está buscando muito mais do que uma regra externa. Está procurando entender como unir corpo, fé e história de vida diante de Deus. Ao longo deste artigo, vamos olhar com calma para a Palavra, para o ensinamento da Igreja e para a nossa própria consciência. O objetivo não é condenar, mas iluminar decisões concretas sobre o corpo, que é templo do Espírito Santo. Se você traz dúvidas, medos ou até culpas sobre tatuagens, este texto é para você.

O que a bíblia diz sobre tatuagem: introdução a um tema profundo

Quando alguém me pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem, eu não escapo pela tangente. Essa pergunta mexe com identidade, com corpo, com fé, com história de vida. Não é só sobre tinta na pele. É sobre como eu, como você, como nós, católicos, queremos viver o mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas, inclusive com o nosso corpo. Neste artigo, quero abrir meu coração com você, compartilhar o que eu já estudei, o que já vivi, o que ouvi de padres, diretores espirituais e de leitores do Front Católico, e olhar com calma para a Palavra de Deus e para o ensinamento da Igreja, para entender com profundidade o que a Bíblia realmente nos diz – e não apenas o que se repete por aí em frases soltas, muitas vezes tiradas de contexto.

Reflexão sobre o que a bíblia diz sobre tatuagem na vida do católico

O que a Bíblia diz sobre tatuagem: por onde começar?

Se você já jogou no Google a frase o que a Bíblia diz sobre tatuagem, provavelmente se deparou com o mesmo versículo: Levítico 19,28. Talvez até tenha sentido um frio na barriga, pensando: “Pronto, pequei para sempre, Deus não me ama mais, não tenho mais jeito”.

Respira fundo comigo.

Nada na Bíblia foi escrito para nos condenar sem saída. A Palavra de Deus é exigente, mas é sempre palavra de amor, de correção e de salvação. Por isso, antes de sair cravando sentenças definitivas, a gente precisa aprender a ler a Bíblia como a Igreja ensina: com contexto, com tradição, com razão iluminada pela fé.

Então, sim, a pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem é muito importante. Mas, mais importante ainda é perguntar: o que Deus quer dizer para mim, hoje, com esse texto? Como a Igreja, guiada pelo Espírito Santo há mais de dois mil anos, entende isso?

O versículo polêmico: Levítico 19,28 e as marcas no corpo

Vamos direto ao ponto. A passagem mais citada quando o assunto é tatuagem é esta:

“Não fareis incisões no corpo por causa de um morto, nem tatuagem alguma fareis em vossa carne. Eu sou o Senhor.” (Levítico 19,28)

Se a gente isolar só essa frase, pode parecer bem simples: “a Bíblia proíbe tatuagem, ponto final”. Mas a Bíblia nunca é tão rasa assim. Quando eu comecei a estudar mais profundamente esse tema, descobri que esse versículo está dentro de um contexto bem específico, que fala de práticas pagãs, rituais religiosos de povos vizinhos de Israel, cultos aos mortos, magia, idolatria.

No tempo em que o Levítico foi escrito, marcar o corpo tinha um significado muito diferente de hoje. Muitas tatuagens estavam ligadas a rituais para deuses pagãos, consagrações a divindades estranhas, sinais de escravidão a ídolos.

Contexto histórico e religioso

É importante lembrar: Deus queria um povo separado, santo, diferente das nações idólatras. A proibição não era só sobre “fazer um desenho na pele”, mas sobre participar de cultos e costumes que negavam o Deus verdadeiro.

Quando entendi isso, percebi que a pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem não pode ser respondida com um simples “pode” ou “não pode”. Exige maturidade espiritual, estudo sério e honestidade de coração.

A Lei de Moisés, incluindo essa parte do Levítico, tinha um papel pedagógico. Preparava o povo para a vinda de Cristo. Muitas prescrições cerimoniais e culturais, a Igreja entende como não mais obrigatórias da mesma forma para os cristãos, pois em Cristo a antiga lei encontra o seu cumprimento.

Passagem bíblica de Levítico e o que a bíblia diz sobre tatuagem no Antigo Testamento

A diferença entre Lei Antiga e Lei Nova: Cristo muda tudo

Quando eu estava em um retiro, ouvi de um padre algo que nunca mais esqueci: “Leia o Antigo Testamento sempre com os olhos de Cristo”. Isso muda tudo, inclusive quando pensamos em tatuagem.

Jesus mesmo disse: “Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.” (Mateus 5,17)

O que isso tem a ver com o que a Bíblia diz sobre tatuagem hoje? Tem tudo a ver.

A Igreja ensina que há três tipos principais de preceitos na Lei de Moisés:

1. Preceitos morais

São mandamentos que valem sempre, em qualquer tempo, para qualquer povo, como “não matarás”, “não cometerás adultério”. Estão ligados à lei natural, ao que é certo ou errado em si mesmo.

2. Preceitos cerimoniais

Relacionados a rituais, sacrifícios, festas judaicas, purificações externas. Estes foram cumpridos em Cristo e já não são observados da mesma forma pelos cristãos.

3. Preceitos disciplinares e culturais

Costumes específicos daquele povo, daquela época, muitas vezes ligados à cultura, à higiene, à separação de Israel dos outros povos.

Quando a gente pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem, precisa discernir em qual categoria o versículo de Levítico se encaixa. A maior parte dos biblistas católicos e moralistas entende que essa proibição está ligada a costumes religiosos pagãos (logo, cerimonial e cultural), e não a um princípio moral absoluto como “amar a Deus” ou “não matar”.

Isso significa que agora tudo está liberado? Não exatamente. Significa que não dá para usar Levítico 19,28 de forma simplista, como uma arma para acusar ou ferir pessoas. Precisamos ir além.

O que a Igreja Católica ensina sobre o corpo e a liberdade

Talvez você já tenha percebido: o Catecismo da Igreja Católica não tem um parágrafo específico dizendo “é proibido fazer tatuagem” ou “tatuagem é pecado mortal”. Não existe essa frase lá.

Mas o Catecismo fala muito sobre o corpo, sobre a dignidade da pessoa humana, sobre pureza, sobre prudência, sobre escândalo. E é aí que a questão da tatuagem entra, de maneira indireta, mas muito séria.

O Catecismo nos lembra que:

“O corpo humano participa da dignidade da ‘imagem de Deus’.” (CIC 364)

“Não devemos desprezar a vida corporal, mas devemos, ao contrário, considerar o nosso corpo como bom e digno de honra, já que foi criado por Deus e que há de ressuscitar no último dia.” (CIC 364)

Quando trago isso para a pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem, eu me vejo diante de outra questão ainda mais profunda: como estou tratando o meu corpo, que é templo do Espírito Santo?

“Vosso corpo é templo do Espírito Santo”: o olhar de São Paulo

Um texto muito importante para esse tema é este de São Paulo:

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“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, que recebestes de Deus, e que, portanto, não pertenceis a vós mesmos? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6,19-20)

Repare que São Paulo não está falando diretamente sobre tatuagem, mas sobre algo ainda maior: sobre a finalidade do nosso corpo. Ele fala de castidade, de pecado sexual, de prostituição, de usar o corpo de modo contrário à vontade de Deus.

Mas esse princípio vale para qualquer escolha corporal séria: roupas, hábitos, vícios, cirurgias, adornos… e sim, tatuagens.

Quando me perguntam “Clara, afinal, o que a Bíblia diz sobre tatuagem?”, eu costumo devolver outra pergunta: Essa tatuagem glorifica a Deus no seu corpo?

É uma tatuagem que:

• manifesta sua identidade como filha de Deus?• te ajuda na fé ou te afasta dela?• traz um símbolo de ódio, violência, imoralidade?• é uma lembrança de um pecado ou de uma história de salvação?

Reflexão espiritual sobre o que a bíblia diz sobre tatuagem e o corpo como templo do Espírito Santo

Nem tudo o que é permitido convém: prudência cristã nas escolhas

São Paulo também nos diz algo que se aplica muito bem aqui:

“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém.” (1 Coríntios 6,12)

Isso vale demais quando falamos sobre o que a Bíblia diz sobre tatuagem e, principalmente, como viver isso hoje, sendo católica, no mundo real, com família, trabalho, comunidade, paróquia.

Mesmo quando algo não é intrinsecamente pecaminoso, posso escolher não fazer por amor a Deus, por amor aos irmãos, por prudência, por liberdade interior.

Já conversei com jovens que me disseram: “Clara, quero muito fazer uma tatuagem com uma cruz, com uma frase de santo”. E também ouvi outros, já arrependidos: “Fiz no impulso, sem pensar, hoje me faz mal olhar para ela”.

Por isso, mais importante do que perguntar apenas “é pecado ou não é?”, é perguntar:

• Por que eu quero essa tatuagem?• O que ela significa para mim hoje?• Como vou me sentir com ela daqui a 10, 20, 40 anos?• Isso pode ser um obstáculo para minha vida profissional ou para minha missão na Igreja?• Isso pode escandalizar alguém mais frágil na fé?

Tatuagem é sempre pecado? Um olhar católico equilibrado

De forma bem honesta, a Igreja não declara oficialmente que toda e qualquer tatuagem seja pecado em si mesma. Não existe um dogma sobre isso. Tatuagem não está na mesma categoria que aborto, adultério ou idolatria direta.

Mas isso não significa que não haja pecado nenhum envolvido.

Na moral católica, muitas vezes o pecado não está no objeto em si, mas na intenção, nas circunstâncias e nas consequências. É assim também quando buscamos saber o que a Bíblia diz sobre tatuagem aplicado à nossa realidade de hoje.

Alguns pontos que eu mesma considero, e que já conversei com padres e diretores espirituais:

1. Tatuagem com símbolo ou mensagem contrária à fé

Desenhos que glorificam o mal, satanismo, violência, pornografia, ódio, blasfêmia. Aqui, o problema é grave, e há, sim, matéria séria de pecado. O corpo, templo do Espírito, passa a carregar um sinal contrário a Deus.

2. Motivações desordenadas

Fazer tatuagem só por vaidade extrema, rebeldia cega, desejo de chocar, desprezo pelo próprio corpo, pressão de grupo. Nesses casos, mesmo que o desenho em si não seja um pecado, a atitude interior pode estar desordenada.

3. Risco para a saúde e imprudência

Exposição a riscos graves de saúde, ambientes insalubres, falta de cuidado, tudo isso fere a virtude da prudência e o dever de cuidar do próprio corpo.

Então, quando alguém me faz aquela pergunta direta: “Clara, tatuagem é pecado?”, eu respondo com sinceridade: depende muito. A questão não é simplesmente pintar a pele, mas tudo o que envolve essa decisão, à luz da fé.

O que a Bíblia diz sobre tatuagem na prática: discernir com Deus

Agora quero aproximar o tema de situações bem concretas. Porque não adianta falar apenas de teoria. Na minha própria caminhada com Cristo, já acompanhei muitas pessoas que chegaram com essa dúvida, com dor, culpa, medo ou até revolta.

Recebi, por exemplo, a mensagem de uma leitora que dizia mais ou menos assim:

“Clara, tenho várias tatuagens feitas antes da minha conversão. Hoje sou católica praticante, participo da missa, rezo o terço, mas me sinto condenada por causa delas. O que faço? Preciso remover todas?”

Eu senti o peso daquela angústia. E talvez você também esteja assim.

Quando leio a pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem vinda de alguém que já tem o corpo marcado, eu vejo uma sede de perdão, de reconciliação, de paz com a própria história.

Se esse é o seu caso, quero te dizer com todo carinho: nenhuma tatuagem é maior do que a misericórdia de Deus.

Se você fez algo no passado com intenção errada, em contexto de pecado, ou com símbolos contrários à fé, leve isso com sinceridade à Confissão. Cristo perdoa. A tatuagem pode continuar ali como marca física, mas espiritualmente você é lavada, redimida, restaurada.

Já vi pessoas que decidiram cobrir uma tatuagem antiga com um símbolo de fé, ou até remover. Outras mantiveram como lembrança de quem foram e de quem não querem mais ser, oferecendo isso a Deus. Não há uma regra única. O importante é viver tudo isso na luz, não na condenação.

Liberdade interior: quando não fazer tatuagem é um ato de amor

Vou abrir meu coração: pessoalmente, depois de muito discernimento, eu, Clara Martins, escolhi não fazer tatuagem, pelo menos até hoje. Não porque ache que quem faz está automaticamente em pecado, mas porque, na minha oração, senti um chamado particular a viver essa renúncia como forma de consagração, de simplicidade e também de liberdade.

Lembro de uma adoração em silêncio, numa noite de retiro. Eu estava diante do Santíssimo, perguntando com sinceridade: “Senhor, afinal, o que a Bíblia diz sobre tatuagem? O que o Senhor quer de mim nisso?”.

Não ouvi uma voz audível, claro, mas pude perceber uma paz profunda quando entreguei a Deus até esse desejo estético. Foi como se eu entendesse: “Teu corpo já traz a marca que mais importa: o selo do Batismo”.

Não estou dizendo que todo mundo precisa chegar à mesma conclusão que eu. O que quero é te convidar a viver esse discernimento com Deus, e não apenas guiada por modas, pressões ou impulsos.

Discernimento espiritual sobre o que a bíblia diz sobre tatuagem e liberdade interior

Santos, marcas e sinais: um olhar espiritual sobre o corpo marcado

Embora a pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem seja moderna, a questão de ter o corpo marcado por algo não é tão nova assim. Na história da Igreja, vemos santos que receberam os estigmas, por exemplo, como São Francisco de Assis, Padre Pio, Santa Rita: sinais da Paixão de Cristo em suas mãos, pés, lado.

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Essas marcas não eram escolhidas por eles, claro, eram sinais extraordinários, místicos. Mas lembram uma verdade: nossos corpos podem se tornar testemunho visível do amor de Deus.

Por outro lado, muitos santos viveram uma pobreza radical de sinais externos, quase nenhuma vaidade, nada de adornos desnecessários, para mostrar que sua identidade estava só em Deus.

Entre esses dois extremos, eu e você caminhamos hoje. Podemos não ter estigmas, nem viver como eremitas, mas somos chamadas a olhar para o nosso corpo e perguntar: “Senhor, como o meu corpo pode te glorificar melhor?”

Tabela comparativa: atitudes diante da tatuagem à luz da fé

Para deixar tudo mais visual e concreto, montei uma pequena tabela comparando algumas atitudes e critérios que podem nos ajudar a entender melhor este tema. Não é uma regra absoluta, mas um guia de reflexão cristã.

SituaçãoRisco espiritualPossível caminho cristão
Tatuagem com símbolo satânico ou blasfemoAltoConfissão sincera, possível remoção ou cobertura, vida nova em Cristo
Tatuagem por pura vaidade, sem reflexãoMédioExame de consciência, buscar purificar as intenções, crescer em humildade
Tatuagem com símbolo religioso autêntico, após discernimento sérioBaixoViver a coerência com o símbolo, testemunhar a fé com a vida inteira
Desejo de tatuar para agradar grupo ou modinhaMédioBuscar liberdade interior, não se deixar escravizar por opiniões

Como discernir na prática: passos concretos antes de tatuar

Se você chegou até aqui provavelmente ainda quer saber, com todas as letras: “Então, Clara, com base em o que a Bíblia diz sobre tatuagem, eu posso ou não posso fazer?”

Em vez de te dar uma resposta pronta, quero te sugerir um caminho de discernimento bem concreto, que eu mesma usaria se estivesse nessa dúvida:

1. Rezar com sinceridade

Falar com Deus com a mesma honestidade com que você contaria algo para um amigo muito próximo:

“Senhor, eu tenho vontade de fazer essa tatuagem por causa disso, disso e disso. Me mostra se isso te agrada, se me aproxima de Ti ou me afasta.”

2. Examinar as motivações

Olhar dentro de si e perguntar sem medo:

• Quero isso para chamar atenção?• Para provocar alguém?• Para assumir uma identidade que não combina com o Evangelho?• Ou é algo que nasce de uma experiência real de fé e amor a Deus?

3. Buscar conselho espiritual

Conversar com um bom confessor, diretor espiritual ou sacerdote de confiança. A Igreja é mãe e mestra. Em muitos momentos, uma conversa franca com um padre pode iluminar coisas que sozinha eu não enxergo. Se você sente dificuldade para se aproximar do sacramento, pode te ajudar ler sobre o que falar na confissão católica para encontrar paz interior e assim se preparar melhor.

4. Considerar o futuro

Pensar com calma: “Como isso vai impactar minha vida profissional? Minha família? Minha vocação futura (matrimônio, consagração, missão)?”

Nem tudo o que parece bonito aos 18 anos fará sentido aos 50. E isso não é falta de autenticidade, é simplesmente maturidade.

E quem já tem tatuagem? Culpa, reconciliação e caminho de santidade

Uma parte muito delicada dessa conversa sobre o que a Bíblia diz sobre tatuagem é lidar com quem já tem o corpo marcado e agora está descobrindo a fé, voltando para a Igreja ou amadurecendo espiritualmente.

Se esse é o seu caso, eu quero que você guarde uma verdade: Deus não começa a caminhar com você a partir da pele “limpa”, e sim a partir de onde você está hoje.

Já acompanhei gente que chorou diante do Santíssimo ao olhar para uma tatuagem feita em uma fase de pecado. E eu mesma chorei junto, porque vi ali não só remorso, mas um profundo desejo de viver de forma nova.

Nesses casos, o mais importante não é correr imediatamente para um laser, mas correr primeiro para o confessionário, para o abraço do Pai.

Depois, com calma, você pode discernir:

• Vale a pena remover essa tatuagem?• Posso cobri-la com outro símbolo mais coerente com a fé?• Ou posso aprender a olhar para ela como cicatriz de uma história que Deus já redimiu?

Lembro de quando uma leitora me contou: “Clara, tenho uma tatuagem que representa um relacionamento abusivo do passado. Hoje sou casada, mãe, e essa marca me faz mal. Coloquei diante de Deus, conversei com meu marido e decidi remover. Cada sessão de laser eu ofereço pela cura de outras mulheres”.

Quando ouvi isso, enxerguei claramente: ali estava uma cruz transformada em oferta de amor. E isso é profundamente cristão.

Evitar julgamentos: caridade com quem pensa diferente

Tem um ponto muito sério quando a gente fala sobre o que a Bíblia diz sobre tatuagem: o risco de cair em julgamento, tanto de um lado quanto do outro.

Já vi católicos que condenam de forma dura qualquer pessoa tatuada, como se não pudesse ser santa, como se estivesse automaticamente perdida. Isso não corresponde ao Evangelho.

Por outro lado, já vi gente zombando de quem escolhe não tatuar por motivos religiosos, chamando de “careta”, “religioso demais”, “radical”. Também não é cristão.

A Igreja, como boa mãe, nos convida à caridade. O critério sempre será este: o amor. E o amor pede que eu busque a verdade, sim, mas também que respeite o caminho do outro, sua consciência, seu processo, sem relativismo, mas sem pedradas.

O papel da consciência: voz de Deus no íntimo do coração

A Igreja fala muito sobre a consciência. No Catecismo, encontramos essa definição:

“A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual ele está a sós com Deus e onde ressoa sua voz.” (CIC 1776)

Quando eu reflito sobre o que a Bíblia diz sobre tatuagem, percebo que esse é um daqueles temas em que a consciência bem formada tem um papel gigante.

Consciência bem formada não é fazer “o que eu quero”, mas buscar com sinceridade o que Deus quer, iluminada pela Palavra, pela Igreja e pela oração.

Por isso, se a sua consciência, depois de bem formada, te mostra claramente que algo seria errado para você, não insista. Do mesmo modo, se você percebe serenidade, ausência de vaidade exagerada, desejo real de testemunho, ainda assim não tome a decisão no impulso. Dê tempo para que essa paz se confirme.

Nesse caminho de formação da consciência, além de meditar sobre o que a Bíblia diz sobre tatuagem, pode ser muito fecundo refletir também sobre outros temas morais, como por exemplo o que a Bíblia diz sobre bebida alcoólica e sua influência na fé, para ter uma visão mais ampla da vida cristã.

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O corpo ressuscitado e as marcas que realmente permanecem

Tem um detalhe bonito, e até poético, quando a gente leva essa reflexão até o fim. Quando perguntamos o que a Bíblia diz sobre tatuagem, falamos de marcas no corpo. Mas você já percebeu que a nossa fé fala muito mais de outra marca?

Cristo ressuscitado conserva em seu corpo glorioso as marcas dos cravos. São feridas que não são mais sinal de dor, mas de amor levado até o extremo.

Ninguém sabe exatamente como será o nosso corpo ressuscitado em detalhes. Sabemos que será incorruptível, glorioso, pleno, mas reconhecível.

Gosto de imaginar que, no céu, a marca que mais vai importar em nós não será um desenho na pele, mas as marcas invisíveis de cada ato de amor, de cada renúncia feita por Deus, de cada perdão concedido, de cada missa vivida com fé.

Isso relativiza um pouco aquela angústia paralisante que às vezes a gente sente: “E se eu errar nisso?”. Deus olha muito além da nossa epiderme. Ele vê o coração.

O que a Bíblia diz sobre tatuagem e a missão do Front Católico

Aqui no Front Católico, eu, Clara Martins, sempre tento caminhar nesse equilíbrio: fidelidade total à Igreja, mas também acolhimento profundo à realidade concreta de quem me lê. E, se você chegou até aqui, provavelmente também busca isso: viver um catolicismo sério, mas sem cair em extremos.

Quando eu mergulho na pergunta o que a Bíblia diz sobre tatuagem, não vejo um Deus policial, pronto a multar quem riscou a pele, mas um Pai que convida seus filhos a amadurecer, a buscar coerência, a honrar o próprio corpo e a não se deixar escravizar por modas ou pressões.

Vejo um Cristo que, mais do que condenar a tatuagem de alguém, quer curar as feridas mais profundas da alma. Vejo um Espírito Santo que pode usar inclusive o tema da tatuagem para nos fazer rever prioridades, intenções e a forma como enxergamos o próprio corpo.

Ao mesmo tempo, na caminhada diária de fé, é fundamental nutrir a alma com práticas que nos aproximem de Deus, como a oração e a música. Por isso, muitos leitores me contam como passaram a compreender melhor temas delicados como o que a Bíblia diz sobre tatuagem ao unirem estudo com momentos de adoração e com louvores católicos que transformam a vida espiritual diária.

Resumindo o essencial: o que fica no coração depois de tudo isso?

Talvez você esteja pensando: “Clara, foi muita coisa. Resume para mim?”. Vamos tentar deixar bem claro o que, na minha visão de católica, escritora e filha da Igreja, fica como síntese deste artigo:

• A passagem de Levítico 19,28, tão citada para responder o que a Bíblia diz sobre tatuagem, precisa ser lida no contexto cultural e religioso da época, ligado a cultos pagãos e práticas idólatras.• A Igreja não declara oficialmente que toda tatuagem seja pecado em si mesma, mas pede prudência, moderação, respeito ao corpo e atenção às intenções do coração.• O corpo é templo do Espírito Santo. Qualquer escolha que fizermos, inclusive tatuar ou não, deve glorificar a Deus e não contrariar a fé cristã.• Símbolos contrários ao Evangelho, ligados ao ocultismo, violência ou imoralidade, são incompatíveis com a vida de um católico e exigem conversão, confissão e, se possível, reparação.• Quem já tem tatuagens feitas no passado não está automaticamente condenado. Deus perdoa tudo o que é confessado com humildade e sinceridade.

No fim das contas, mais importante do que ter ou não ter tatuagem é ter um coração marcado pelo amor de Deus.

Convite final: e você, o que vai fazer com o que ouviu hoje?

Depois de toda essa caminhada juntas, eu quero te fazer algumas perguntas bem diretas:

• Ao saber tudo isso sobre o que a Bíblia diz sobre tatuagem, como você se sente?• Sua vontade mudou, se fortaleceu ou ficou mais confusa?• Você sente que precisa conversar com Deus sobre alguma tatuagem que já tem ou deseja fazer?• Há algo nisso tudo que te feriu, te consolou ou te provocou?

Não deixe essas questões morrerem aqui. Leve para a oração, para a Confissão, para uma direção espiritual.

Se você sentir no coração, compartilhe seu testemunho nos comentários do blog. Você não faz ideia de quantas pessoas podem ser tocadas pela sua história. Quantas podem encontrar cura, clareza e paz ao perceberem que não estão sozinhas nesse dilema.

Eu, como mulher que há anos escreve sobre fé, Igreja e vida cristã, posso te garantir: Deus sempre escreve certo, mesmo quando nós rabiscamos um pouco torto pelo caminho.

E, se em algum momento você se perguntar de novo “o que a Bíblia diz sobre tatuagem?”, lembra também de perguntar: “Senhor, o que Tu dizes sobre mim?”. A resposta dEle, essa sim, vale para sempre: “Tu és minha filha amada”. E se em meio a esse processo nascer em você o desejo de conhecer melhor a vida daqueles que já trilharam o caminho da santidade, vale muito a pena aprofundar-se também em santos católicos e como transformar sua vida com fé e esperança.

Clara Martins
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